Limpar o bumbum antes de ir ao banheiro não faz de você um inovador

Começar pelo fim pode ser um problema

Ler o último livro do Ryan Holiday é como tomar um tapa na cara. Um tapa bem dado, daqueles que dói, mas que a gente sabe exatamente o porquê de ter tomado.

Em “O ego é seu inimigo”, Ryan Holiday fala sobre costumes atuais que são perigosamente danosos. Invertemos o funcionamento natural dos fatos quando falamos em conquistas. Se antigamente tínhamos que fazer algo para sermos reconhecidos, hoje basta postar nas redes sociais uma ideia ou vontade que já temos a validação de muitas pessoas.

Eu, você e tantas outras pessoas já caímos nessa pegadinha. Ao invés de colocarmos em prática nossas ideias sem contar para outras pessoas, postamos no Instagram, no Facebook ou no Twitter sobre nossas vontades de fazer/empreender. Em muitos casos, essas ideias sequer foram para o papel.

E aí “chove” validação social. Muitos comentários falando que “vai dar tudo certo”, que “você já é um sucesso”, que “sempre acreditou nas suas ideias” e por aí vai. Numa dessas, você se sente o cara mais especial do mundo sem ter feito p*rra nenhuma.

É triste, mas é uma realidade que vemos todos os dias nas redes sociais. E não adianta nem apontar o dedo porque certamente já caímos nesse golpe do nosso próprio ego. E são atitudes assim que nos fazem estacionar na vida. Não evoluímos naquilo que nos propomos a fazer. Quando a finalidade é apenas a validação social, tudo perde o sentido e normalmente não saímos do lugar.

Ryan Holiday em sua biblioteca

O curioso caso dos empreendedores sem direção

Participo de alguns grupos de empreendedores. Como consultor de marketing, ajudo pessoas que querem empreender, criar seus próprios negócios. E vejo que muitos que estão nesse estágio acreditam piamente que nasceram para serem patrões. O problema é que eles não sabem quase nada de nada.

Uma pergunta que me deixa muito intrigado e que é feita com frequência nesses grupos é a tal da: “Tenho R$10.000,00 (o valor pode variar) em mãos. Que tipo de negócio posso abrir?”.

Percebe como essa pergunta não faz sentido nenhum? Quem faz esse tipo de questionamento não pode estar pensando em abrir uma empresa. Não pelo valor, que é importante dependendo da área de atuação e varia dependendo de quem faz a pergunta, mas pela falta de conhecimento.

Do que adianta ter algum dinheiro em mãos e não ter sequer ideia do que fazer com ele? Pra mim, é melhor que a pessoa guarde essa grana embaixo do colchão.

Abrir um negócio ou começar uma empresa é algo desafiador. E por isso não é tão simples como as pessoas acham nesses grupos de Facebook ou comunidades em sites de empreendedorismo. Pra falar a verdade, acho que quem faz esse tipo de questionamento não está ligando muito para a resposta. A pessoa só quer dar uma tumultuada no ambiente.

Para começar um negócio – mesmo que seja pequeno -, além do dinheiro para investir são necessárias muitas outras coisas. Seria preciso, no mínimo, responder algumas perguntas, como:

– Qual seu objetivo com o negócio?

– Qual sua experiência de trabalho?

– Qual sua área de conhecimento?

– Gosta de estudar e aprender coisas novas? Domina alguma área?

– Cuida da própria vida? Consegue se organizar minimamente para também tomar conta de uma empresa?

– Qual é o seu talento natural? Tem algo que gosta de fazer a ponto disso tornar o seu “ganha pão”?

– Por que está querendo abrir uma empresa e não apenas trabalhar para outras pessoas?

São perguntas básicas que poucas pessoas se dispõem a responder. E ao NÃO fazerem isso, começam o empreendimento da pior maneira possível e não é a toa que muitas empresas simplesmente fecham depois de poucos meses.

Entende como as coisas são mais complexas do que parecem?

Só ficar repetindo por aí algo como “vai dar tudo certo, tenho fé que chegou a minha vez” ou “minha vontade é ser rico, não importa em que área vou atuar” não me parece boas explicações para começar algo tão arriscado e colocar o pouco dinheiro que restou do seu FGTS.

A conclusão é óbvia, mas poucos enxergam

Com esses dois exemplos, quero dizer que existe uma ordem para que as coisas sejam feitas. Não adianta “fazer por fazer”. É preciso parar, pensar e traçar a melhor estratégia. A ordem dos fatores influencia sim no resultado final.

Nesses casos, é preciso pensar antes de agir. Analisar o ambiente, ver quais são suas expectativas e o que você sabe sobre o mercado que pretende entrar. E saber, também, em qual mercado entrar e os motivos levando em consideração as oportunidades e os desafios que precisam ser enfrentados.

Depois disso a gente pensa na grana que pode ou não gastar e no reconhecimento que teremos pelos nossos feitos – se é que eles virão.

Posso ser grosseiro, mas talvez assim você entenda essa lição de uma vez por todas. Não adianta limpar o bumbum antes de ir ao banheiro, sentar no vaso e fazer o número 2. Limpar é o último dos estágios, e não adianta você reclamar ou querer ser inovador nesse momento.

A ordem é essa e inverter isso vai te ferrar. Acho que agora você entendeu, né?


Gostou do texto? Compartilhe com seus amigos! ❤

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s