Um Natal com pouca gente e sem o “tio do pavê”

As festas de fim de ano são importantes para muitas pessoas. E não tem nada de errado, mesmo que eu não ligue muito pra elas. Por isso foi e ainda será tão difícil manter os grupos familiares isolados, onde cada um comemora o Natal ou a virada de ano apenas com seu núcleo familiar.

Depois de um ano tão conturbado e difícil, fica quase impossível convencer as pessoas de que o mais correto é comemorar em casa, sem aglomeração. E vários fatores contribuem para isso:

  • Falta de informação verdadeira e de qualidade. Existe muita confusão no que é divulgado, vários “especialistas” espalham notícias falsas que confunde a população e isso é um prato cheio para quem só quer reforçar o próprio pensamento e suas convicções, mesmo sem qualquer base científica;
  • Descrença nos políticos/governantes. A grande maioria não faz o que prega e isso também atrapalha o entendimento da população sobre os reais perigos da pandemia. Até mesmo o Presidente da República minimiza os efeitos e a gravidade da situação que vivemos, tirando sarro de quem se preocupa e com os doentes e mortos;
  • Uma certa rebeldia. Como convencer um trabalhador(a) de que é errado passar o Natal/Ano Novo com seus pais idosos se esta mesma pessoa se locomove há pelo 10 meses dentro de um ônibus lotado sem qualquer intervenção do Governo?
Enfeite de Papai Noel simbolizando presentes e o final de ano

Um Natal diferente

A noite de Natal, pra mim, foi tranquila. Os 6 lugares da mesa de jantar foram mais do que suficientes para acomodar as 4 pessoas. Não tinha aquela tradicional e exagerada mesa com vários tipos de comida – que muitas vezes ia para o lixo no dia 26. O que sobrou de verdade foi muita paz e conversa. É curioso pensar que, para quem está com o coração em paz e tem algum entendimento acerca da situação, não é preciso nenhum tipo de exagero para se sentir bem e em paz.

Claro que não faltou o arroz com passas, que é o meu prato preferido do Natal. Além dele, apareceram na mesa um ótimo frango frito na panela de pressão e uma cumbuquinha com a melhor maionese do mundo feita pela minha mãe. Gastronomicamente falando, acho que não preciso de mais do que isso. Se tivesse um bife à parmegiana com batatas fritas eu não iria achar ruim.

É claro que muita gente sofreu, não só na noite de Natal, mas durante toda a pandemia. Pessoas egoístas, que não entendem a grave situação que vivemos, e querem comemorar como se tudo estivesse perfeitamente normal sofrem bastante. Ainda mais quando são contrariadas. E óbvio que sofre ainda mais os que perderam familiares ou amigos por conta da Covid-19 nesse ano de 2020.

Foi um Natal diferente, reflexivo e que vai ser lembrado durante décadas. E é provável que o Natal ganhe novos caminhos e significados daqui pra frente.

Vamos combinar que, para muitos, o Natal já não era lembrado por ser uma data religiosa. Era muito comemorado por ser um feriado longo, próximo da virada de ano, em que as pessoas mais valorizam a comilança e a bebedeira do que as tradições da igreja ou questões relacionadas a fé.

E agora temos uma situação nova: será que é preciso mesmo juntar aquele monte de parente falso no final do ano só pra mostrar que a família é unida? Quem realmente fez falta nesse Natal?

O maior “perigo” desse Natal e ano novo com pandemia é descobrirmos que não precisamos mais do “tio do pavê” nas festas. Já pensou se a gente fica mais seletivo com nossos encontros e amizades? Se isso acontecer, até o “tio do pavê” vai ter que se reinventar e começar a frequentar outras aglomerações durante o ano inteiro.

Azar dele.

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