Caso Robinho: o dinheiro manda e devemos obedecer

A situação de Robinho está cada vez mais complicada.

Condenado em primeira instância pela justiça italiana por violência sexual, o jogador recorreu da decisão e tentava levar uma vida normal longe da Itália. Passou algum tempo na Turquia e recentemente foi anunciado como novo reforço do Santos. Só que as coisas não saíram do jeito que o “pedalada” imaginava.

Pressionado pelos patrocinadores, o Santos foi obrigado a suspender o contrato de Robinho. Por mais que ele esteja recorrendo e tenha a possibilidade de reverter a primeira decisão da justiça, as empresas não querem ter seus nomes ligados ao jogador.

O Santos, quebrado, descobriu que o dinheiro é importante

Dinheiro é importante e não é só no futebol. Quem tem maior poder de investimento contrata os melhores profissionais, constrói bons centros de treinamentos e se aproveita de tantos outros benefícios que o dinheiro proporciona. E não tem nada de errado nisso.

O problema é que o Santos “esqueceu” deste pequeno detalhe e ficou assustado quando viu seus patrocinadores – que é uma das fontes de receitas dos clubes de futebol – ameaçarem abandonar o clube caso Robinho fosse contratado.

O dinheiro foi educativo fazendo uma pressão tão grande que o clube teve que rever a contratação.

Não é possível afirmar que as empresas patrocinadoras estejam preocupadas com os crimes sexuais ou com a garota albanesa violentada em 2013. Eles olham primeiro para seus negócios e de como repercutiria mal estar associado ao clube que contrata um jogador condenado por estupro.

O dinheiro, protagonista na situação, deu o recado: grande parte da sociedade repudiaria essa contratação e as empresas poderiam perder negócios importantes. O melhor a fazer foi cancelar tudo e deixar que o jogador, agora sem clube, resolva sua vida com a justiça que o condenou.

O combate ao crime começa pelo dinheiro

O poder exercido pelo dinheiro é importante para outras questões que envolvem crimes. Ter dinheiro dá ao criminoso inúmeras vantagens, exerce influência sobre outras pessoas e é capaz de esconder condutas não aceitas por quem segue as leis e regras da sociedade.

O dinheiro em abundância blinda criminosos e torna mais difícil o combate ao crime. No tráfico de drogas, por exemplo, é muito mais inteligente sufocar financeiramente as organizações do que ficar prendendo adolescente na rua que carrega meia dúzia de pedra de crack. Todo mundo sabe disso, mas nem sempre as decisões mais inteligentes são tomadas.

No futebol, mesmo com toda pressão da imprensa e até de torcedores(as) do Santos, a suspensão – e veja, nem assim cancelaram – do contrato só ocorreu depois que os patrocinadores ameaçaram sair do clube. Será que Robinho jogaria normalmente se os patrocinadores ficassem quietos?

É um assunto complexo, difícil e que deve ser tratado com bastante cuidado. Hoje, Robinho é um homem condenado que, de acordo com as leis italianas, deveria estar preso. Se por ventura pisar em solo italiano, vai na mesma hora para a prisão. Ele não pode achar que tudo está tranquilo e que deve continuar dando suas pedaladas com a camisa do Santos por aqui.

Estupro é um crime tão sujo e repugnante que nem os criminosos o aceitam dentro da cadeia. Até por conta disso existem presídios “exclusivos” para homens que cometem crimes sexuais. Quando um sujeito que comete um estupro vai para uma “cadeia comum”, quase sempre sai de lá morto.

E o dinheiro, que quase sempre é visto como o grande vilão do nosso tempo e responsável por todas as mazelas que vivemos, jogou luz nessa história que agora é de conhecimento geral. Se não fosse ele, certamente teríamos um jogador condenado desfilando pelos campos brasileiros sendo saudado por sua torcida e servindo de “exemplo” para crianças e adolescentes que amam o futebol.

Por enquanto a festa de Robinho está suspensa.

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