A publicidade está matando nossos heróis

Herói, no dicionário, é definido como um “semideus”.

Alguém que é filho de um deus ou de uma deusa com um ser humano. Ou pode ser também um simples mortal que foi divinizado após a sua morte. Em todo caso, você já deve ter assistindo inúmeros filmes e tem na mente sua própria definição de herói. Acredito que não fuja do que escrevi anteriormente.

Para os publicitários e marqueteiros, herói é o que chamamos de “zé ninguém”. Usaram tanto essa palavra em peças e anúncios que agora qualquer humano é tratado como um semideus. Ou seja, acabaram com o real significado do herói que conhecemos.

Eu particularmente não sou fã de nenhum herói. Pra você ter uma ideia, nunca assisti um filme inteiro do Homem Aranha ou do Capitão América. E se não fiz isso até hoje, não vai ser depois dos 34 que vou me interessar pelos heróis do cinema. No máximo tenho uma leve saudade dos heróis japoneses, da época em que eu era criança. O Jaspion e os Cybercops eram meus preferidos.

Herói: uma palavra desgastada

O uso indiscriminado do termo “herói” na publicidade enfraquece a palavra e tira a força da expressão. Já reparou que hoje todo mundo é um herói? Médicos, pais, policiais ou qualquer outro tipo de trabalhador que faça razoavelmente sua obrigação é tratado como um ser com super poderes. Já vi até político ser tratado assim. É muita pretensão ou falta de referências.

Claro que não é errado usar o termo “herói” para fazer homenagens, mas o uso incessante faz a palavra perder sua importância. Deixa de ser um referencial para grandes conquistas ou qualidades para agradar a todos. Aliás, se todos são heróis, logo vamos chegar a conclusão que não temos mais homens dignos de serem chamados assim.

O herói é, por definição, um semideus. Alguém especial, um ponto fora da curva. Por isso que nos filmes os heróis fazem coisas que nós, humanos, não fazemos. Eu sei que a intenção é agradar, homenagear, mas vamos com calma. Daqui a pouco essa historinha perde a graça e os heróis terão, para as crianças, a mesma importância que o Papai Noel: nenhuma.

Chamar atenção é uma arte que poucos dominam

A publicidade e a propaganda existem para chamar atenção de um determinado público. Não importa se estão divulgando um produto, um serviço ou uma simples ideia. Sua função é fazer com que o receptor pare e preste atenção na mensagem e se interesse pelo seu conteúdo.

E vamos ser sinceros? É cada vez mais difícil chamar a atenção das pessoas. Com tantos estímulos e opções, obter 5 segundos da atenção de um cliente, por exemplo, é uma batalha árdua que exige muito esforço. Por isso que esse momento da atenção – mesmo que não seja plena – não pode ser desperdiçado.

Os publicitários, em sua grande maioria, se comportam de maneira preguiçosa. Quer um exemplo? Quantas vezes você já viu por aí uma campanha – não importa se é de serviço ou produto – que usa a frase “Juntos somos mais fortes!”? São várias, inúmeras. O coronavírus veio só para potencializar essa falta de criatividade de algumas pessoas e essa frase foi usada milhares de vezes.

A frase é ruim? Claro que não. Mas já foi usada tantas vezes, por tantas empresas e para divulgar ideias tão diferentes, que hoje não chama a atenção de mais ninguém. E se publicidade não chama a atenção de quem deveria, ela passa a não servir mais e o restante do trabalho é prejudicado.

O desgaste de algumas expressões, pelo menos na comunicação, é sério e que deve ser motivo de preocupação de publicitários e marqueteiros. Claro que a maioria não está nem aí pra isso, querem mais é juntar todos os heróis para que eles juntos possam ser mais fortes. A tentativa pode até ser válida, mas os resultados a gente já sabe quais serão.

E sabe quem fica puto com isso? O cliente, que paga um profissional “criativo” para pensar e recebe um material “mais do mesmo” na sua campanha. Haja dinheiro para gastar com trabalho ruim e sem resultado.

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