O racismo, a desigualdade e uma ajuda do Luciano Huck

Os Estados Unidos está literalmente pegando fogo. Depois que George Floyd, um homem negro, foi assassinado por um policial branco, o país virou de cabeça pra baixo por conta das manifestações antirracistas.

O texto não é sobre este caso, até porque não tenho capacidade para discorrer sobre o assunto. Mas gostaria de compartilhar uma história que tem ligação direta com o tema.

Não costumo assistir o Caldeirão do Huck. Nada contra o apresentador, apenas questão de gosto.

Acontece que no sábado, depois que acabamos a faxina em casa, sentei no sofá e assisti um trecho do Caldeirão do Huck enquanto comia alguma besteira. O que passava, naquele momento, era uma reapresentação do quadro “Lar doce lar”, onde o programa reforma casas de pessoas normalmente com poucas condições financeiras.

A história que contaram foi a de Antônio Jesus Costa, mais conhecido como Pelé Pipoqueiro. Um homem negro, 75 anos, descendente de escravos e que morava com a esposa e um filho numa casa humilde em Lagoa da Prata/MG. Segundo Luciano Huck, várias pessoas da cidade escreveram para que o programa reformasse a casa do Pelé Pipoqueiro.

Vou te dizer que a história daquele homem me deu um aperto forte no peito.

A origem simples e pobre é uma realidade de boa parte dos brasileiros. O que me chamou atenção, durante a entrevista, foi quando o Pelé Pipoqueiro disse que trabalha desde os 6 anos de idade. Nessa hora, o apresentador o interrompeu e falou algo como: “o senhor trabalha desde os 6 anos de idade e ainda não conseguiu comprar uma porta e um vaso sanitário para o seu banheiro?”.

Foi pesado. Era isso mesmo.

5, 6 dias depois e essa pergunta ainda está grudada na minha cabeça. O que nós, como sociedade, podemos fazer por pessoas assim?

O Pelé Pipoqueiro estava participando de um programa de TV. A casa dele foi reformada, Deus abençoou o barraco dele, como ele mesmo disse. Mas como podemos viver num sistema em que um cara trabalha 69 anos e não tem grana pra comprar uma porta para o banheiro? A “porta” do banheiro dele era um pedaço de pano.

Uma porta num banheiro não é item de luxo, futilidade. Morar com dignidade é uma necessidade humana. Olhando pra ele, vendo aquele homem falar, é impossível passar pela cabeça de alguém que ele gastou o dinheiro que ganhou com besteiras e deixou a porta do banheiro pra depois.

É uma questão que envolve muita coisa, assuntos, esferas. E, querendo nós ou não, envolve política.

Não Importa o regime que eu ou você defenda, mas tem algo com nós que precisa ser corrigido “pra ontem”. 69 anos trabalhando. Parou pra pensar nisso?

O “Pelé Pipoqueiro” está na periferia de cada cidade, lutando, trabalhando de sol a sol. São os caras que fazem o que precisa ser feito, sem ter qualquer reconhecimento. A vida deles, a gente sabe, importa muito pouco.

É por isso que os Estados Unidos ardem nesse momento. Não faço ideia se algo vai mudar depois que a poeira baixar, mas é um anúncio. Ainda mais acontecendo lá, onde o capitalismo e a liberdade econômica são tratados como Deuses.

Comprar, gastar e consumir é muito bom e as pessoas, em sua grande maioria, adoram. Mas precisamos sentar pra conversar, algo precisa mudar para que esse tipo de discrepância não ocorra.

Pena que vivemos tempos de ódio. Sentar pra conversar é quase uma utopia, pelo menos por enquanto.

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