O que a TV pode nos ensinar?

The Good Doctor: o que uma das séries de maior sucesso da TV pode ensinar sobre otimismo no ambiente de trabalho

The Good Doctor é uma das séries de TV mais assistidas no mundo. Sucesso absoluto nos Estados Unidos, estreou por aqui no final de 2017 e manteve o sucesso conquistado no exterior.

A série é baseada na história de Shawn Murphy, um jovem médico residente que pretende ser cirurgião no hospital San Jose St. Bonaventure. O problema é que Murphy é diagnosticado com autismo e essa é sua grande barreira desde o primeiro dia de trabalho.

Com sérios problemas de comunicação, o personagem principal da série precisa lutar a cada episódio para ganhar a confiança dos seus chefes. Muitos destes chefes e alguns companheiros de trabalho julgam que, embora tecnicamente brilhante em seu ofício, Murphy não reúne capacidades para ser considerado um bom cirurgião.

Antes de continuar queria te fazer uma pergunta: você acredita que é possível aprender algo assistindo um filme ou uma série de TV?

A série mostra várias situações – algumas emocionantes – que podem nos trazer diversas lições. Pra mim, a cena mais impactante aconteceu no terceiro episódio da primeira temporada. E é sobre ela que vou escrever.

Enquanto um paciente esperava pelo transplante de um fígado, Dr. Murphy e Dra. Browne (uma das suas companheiras de trabalho) travam uma luta contra o tempo para trazer o órgão a ser transplantado de outro hospital.

Ao longo do caminho eles enfrentam diversos problemas (não se esqueça que estamos falando de uma série de TV), como problemas mecânicos na ambulância, falta de refrigeração do fígado – eles precisam parar numa loja de conveniência para comprar gelo – entre outras coisas.

Enquanto assistimos o episódio, temos a sensação de que não vai dar tempo. É quase certo que Murphy e Browne não chegarão ao hospital com tempo hábil para que o paciente receba o fígado que foram buscar.

Depois de enfrentarem e superarem tantos obstáculos, são recebidos no hospital com uma notícia trágica: o paciente não poderá receber o fígado.

O paciente que esperava o órgão ingeriu bebida alcoólica na festa de formatura da filha e isso impossibilitava o transplante. O protocolo dizia claramente que ele não poderia beber nada alcoólico 6 meses antes do transplante. Como não respeitou a regra, acabou perdendo a chance de ter um novo fígado.

A informação caiu como uma bomba para o paciente  – que sabia dessa regra e mesmo assim a desrespeitou – e para os médicos envolvidos.

A decepção de quem acha que o trabalho foi perdido

A cena seguinte mostra Murphy e Browne sentados na frente do hospital. Eles assistem uma ambulância levar o fígado para outro paciente.

O diálogo entre os dois é emocionante. Não mostra que um está certo ou errado, e sim que existem diversas maneiras de ver os acontecimentos da vida. São duas formas diferentes de enxergar o mundo.

Dra. Browne comenta triste e desanimada com Dr. Murphy que eles não conseguiram, que o esforço foi em vão e que perderam tempo indo atrás do fígado. Murphy prontamente discorda da colega de trabalho dizendo algo como: “Não perdemos o trabalho. O fígado só não foi para nosso paciente, mesmo assim salvamos uma vida, já que outra pessoa vai receber o órgão que fomos buscar”.

É claro que a situação descrita foi observada numa série de TV, mas existem tantas outras muito parecidas com esta que acontecem conosco todos os dias e nem percebemos.

Estamos sempre olhando para o que perdemos, para o trabalho que deu errado ou para o insucesso que tivemos na última empreitada. Mesmo quando fracassamos, é possível tirar boas lições. Estamos sempre aprendendo.

É o que Murphy fez ao discordar da amiga. Para ele, o mais importante foi feito: buscaram o fígado que salvou uma vida. Não importa quem se beneficiou, importa que o esforço foi válido e eles salvaram um paciente. O trabalho não foi em vão.

Iluminados são os que conseguem pensar assim, mesmo nas situações mais adversas. Você consegue?

1 comentário

  1. Eu penso como o Murphy, todos nós temos um ponto de vista, eu procuro não fazer julgamentos. Acredito que nesta situação do episódio da série, o paciente nao estava preparado para receber o fígado, mas sim era para um outro paciente. A vida é assim! As oportunidades surgem, ora estaremos preparados pra ela, ora não. Acredito que a gente nunca perde. A gente ganha ou aprende. Otima reflexão. Parabéns pelo texto.

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